Álcool pode até ajudar a adormecer, mas piora qualidade do sono, aponta estudo

Por Dentro De Tudo:

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Álcool pode até ajudar a adormecer, mas prejudica a qualidade do sono, aponta revisão publicada na Sleep Medicine Reviews. A análise reuniu dados de 27 estudos com adultos saudáveis, identificando que mesmo baixas doses de álcool reduzem a fase do sono REM, ligada à consolidação da memória, processamento emocional e recuperação cerebral. Doses maiores encurtam o tempo para adormecer, mas aumentam as alterações no sono ao longo da noite.

Segundo os pesquisadores, o álcool é comumente utilizado como um “auxiliar do sono” porque muitos acreditam que facilita o adormecimento. Contudo, esse efeito sedativo inicial ocorre acompanhado de prejuízos subsequentes na qualidade do descanso. Um neurologista ouvido pelo G1 acrescenta que o álcool pode piorar a apneia obstrutiva do sono, aumentar o volume urinário, levando a mais despertares noturnos, e promover fragmentação do sono, com pesadelos e agitação.

A análise mostra mudanças significativas na arquitetura do sono, incluindo atraso no início do sono REM, redução da duração do sono REM, encurtamento do tempo para entrar no sono profundo em doses elevadas e redução do tempo para adormecer apenas com consumo elevado de álcool. Existe uma relação dose-resposta: quanto maior a quantidade de álcool, maiores os prejuízos no sono REM. Alterações no sono REM ocorreram mesmo após baixas doses, equivalentes a cerca de duas doses-padrão de bebida.

Os dados indicam que o álcool aumentou, em média, 18 minutos o tempo necessário para entrar no sono REM, e a duração total dessa fase foi reduzida em média 11,3 minutos após o consumo. Os prejuízos ao sono REM começaram a aparecer com doses em torno de 0,35 a 0,50 g/kg de álcool, classificadas como baixas doses, com piora progressiva conforme a dose aumentava.

O tempo para dormir caiu significativamente apenas com doses altas de álcool, estimando-se que esse efeito aparece por volta de 0,85 g/kg, equivalente a cerca de cinco doses-padrão. O efeito sedativo ocorre porque a substância altera neurotransmissores como GABA, glutamato e adenosina, mas esse efeito diminui ao longo da noite, conforme o organismo metaboliza o álcool, levando a mais perturbações na segunda metade do período de descanso.

A revisão analisou 27 estudos com adultos saudáveis entre 18 e 70 anos, avaliando o impacto do álcool consumido antes de dormir, com doses variando entre 0,16 e 1,20 g/kg. As doses foram classificadas como baixa (até 0,50 g/kg), moderada (0,50 a 0,75 g/kg) e alta (> 0,75 g/kg). A maior parte dos estudos avaliou o consumo até três horas antes do sono.

Os pesquisadores concluem que, apesar de o álcool poder facilitar o início do sono em doses elevadas, o consumo prejudica fases importantes do descanso e não deve ser considerado uma estratégia eficaz para melhorar a qualidade do sono. Além disso, o álcool pode piorar a apneia obstrutiva do sono devido ao relaxamento muscular, promovendo instabilidade respiratória, roncos mais frequentes e agravamento da condição em indivíduos suscetíveis. Também aumenta o volume urinário, contribuindo para mais despertares noturnos. O consumo regular com o objetivo de facilitar o sono pode levar à cronificação da insônia e agravar outros distúrbios do sono, como bruxismo, parassonias, movimentos periódicos de membros e síndrome das pernas inquietas.

Crédito da foto: Adobe Stock. Fonte: g1.globo.com. Publicado em 23 de maio de 2026. Crédito da imagem: Adobe Stock. Fonte: g1.globo.com.

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