Cão Orelha: o incentivo à impunidade e a normalização da violência contra animais

Por Dentro De Tudo:

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O caso do cão Orelha tornou-se símbolo de como a violência contra animais ainda é tratada com indiferença e superficialidade, especialmente nas redes sociais. Entre denúncias fragmentadas e relatos que circulam online, constrói-se uma narrativa preocupante: a de que maus-tratos podem gerar comoção momentânea, mas raramente resultam em responsabilização efetiva.

Especialistas em bem-estar animal alertam que a ausência de respostas firmes do poder público contribui para um ambiente de impunidade. Quando casos graves são reduzidos a conteúdos virais, sem investigação aprofundada ou punição exemplar, cria-se uma sensação de permissividade que incentiva novos abusos e reforça a normalização da violência.

A transformação da dor animal em mero engajamento digital esvazia o debate e desestimula denúncias formais. Muitas ocorrências se perdem no fluxo das redes, sem avançar para medidas concretas de proteção, fiscalização ou responsabilização legal.

Apesar do cenário, há caminhos possíveis. Fortalecer redes de denúncia, garantir aplicação rigorosa da legislação, ampliar a fiscalização e estimular a atuação conjunta entre sociedade civil e autoridades são passos fundamentais. A memória de Orelha pode — e deve — servir como alerta para que a violência contra animais deixe de ser apenas pauta passageira e passe a ser tratada como uma questão de justiça e cidadania.

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