Ciclista que superou câncer inspira pessoas ao pedalar 600 km durante 33 horas: ‘Valorizo mais a vida’

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Um motorista aposentado de 65 anos, morador de Araçatuba (SP), venceu o câncer e encontrou no esporte uma razão para recomeçar. Floriano Damas Claro alcançou um feito impressionante ao pedalar 600 km durante 33 horas, e se tornou inspiração para outras pessoas. Ele foi diagnosticado com câncer de próstata em 2009. Anos após vencer a doença, tornou-se atleta de ciclismo de longas distâncias e um exemplo de determinação.

Todo o tratamento foi feito pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe). Segundo Floriano, ele não teve sequelas e leva uma vida normal. Fez o acompanhamento por cinco anos e precisa ir ao médico uma vez por ano. Em entrevista ao g1, Floriano, que trabalhava na Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, contou que, ao receber o diagnóstico e ouvir as alternativas apresentadas pelo médico, optou pela cirurgia. Mesmo com medo, aceitou ser submetido ao procedimento, que foi um sucesso. Ele relembra o momento em que o médico confirmou o diagnóstico e diz que, apesar da reserva inicial, não desistiu: “Receber esse diagnóstico é difícil. Eu já tinha feito vários exames e havia suspeita. Então, lembro perfeitamente do médico olhando o resultado, sentado de frente comigo, fazendo uma pausa e dizendo: ‘É, meu amigo, infelizmente deu’.”

Restabelecido, o aposentado encontrou um novo desafio ao iniciar as competições em 2017. A história dele mostra que o ciclismo sempre fez parte de sua vida, desde a infância. Acostumado a longos percursos na adolescência, foi nas provas de grande distância que se encontrou. “Nunca joguei futebol nem nadei. Então, foi no ciclismo que me encontrei. Quando comecei, pensei: ‘Esse é o esporte que quero praticar’. Sempre gostei de provas de longa distância, por isso foi a modalidade com a qual mais me adaptei”, comentou.

No início das competições, Floriano passou por todas as etapas do esporte, atingindo marcos de 200, 300 e 400 km. Ele conta que cada etapa serviu de treino para a próxima, e seu objetivo era alcançar o marco de 600 km em até 40 horas. Esse feito foi confirmado em 2018, quando completou a série completa de provas, dos 200 aos 600 km, conquistando o título de “Super Randonneur”. Segundo o motorista aposentado, em Araçatuba, apenas uma pessoa realizou essa série completa, e apenas cinco ciclistas atingiram os 600 km. “Eu nunca imaginei chegar aos 600 km, pois não era essa minha pretensão no início. É engraçado, porque a gente vai fazendo e se motivando. Alguns amigos diziam que eu não precisava fazer, mas eu queria. Para mim, desistir nunca foi uma opção. Graças a Deus, consegui concluir a prova”, afirma.

Antes de alcançar esse feito, Floriano ainda enfrentou outro desafio: foi diagnosticado com uma hérnia de disco nas vértebras L4 e L5, na forma de extrusão, a mais grave. Ele conta que não conseguia andar nem deitar, e que a situação afetou não só o ciclismo, mas toda a sua rotina. “Foi um período muito difícil, principalmente para mim, que sempre fui muito ativo, trabalhava e fazia as coisas. Além do ciclismo, também sou motorista. Fiquei muito frustrado e ansioso”, relembra. Mesmo com o obstáculo, ele alcançou seu objetivo e destaca que, após passar por duas grandes provações na vida, passou a enxergar o dia a dia de outra forma. “Sempre gostei de estar perto das pessoas, de ajudar e conviver em harmonia com todos. Mas, depois de passar por uma situação como essa, a gente valoriza ainda mais a vida, e, agora, procuro estar ainda mais próximo dos amigos. Após o diagnóstico e o tratamento, voltar à vida normal faz a gente querer aproveitar cada momento ao máximo”, conta.

Floriano conta que nunca pensou em desistir ou deixar de competir e relembra que, em janeiro, fez uma prova de 200 km, na região de Holambra (SP). “Acho muito difícil dizer: ‘Não vou mais’. Normalmente, tenho participado das etapas de 200 km mais para descontração, para rever os amigos, para aquela resenha depois da prova.” Quando questionado se faria os 600 km novamente, ele admite que fica tentado, apesar de já estar prestes a completar 66 anos e reconhecer que, com a idade, as coisas ficam mais difíceis.

Como os amigos moram longe, as provas acabam servindo também como oportunidade de reencontrá-los, confraternizar e fazer passeios juntos. Floriano não descarta a ideia de novos desafios, mas revela que, por ora, valoriza cada momento ao lado das pessoas que gosta e que o esporte continua sendo o principal instrumento para manter a vida saudável e em movimento.

Crédito da foto: Iamspe/Divulgação
Fonte: g1 Rio Preto e Araçatuba

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