Com negócios bloqueados durante 15 dias, financiamento de veículos volta a ser liberado em Minas Gerais

Por Dentro De Tudo:

Compartilhe

Depois de cerca de duas semanas de impasse entre o Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG), financiadoras de veículos e bancos, devido ao aumento das taxas para a emissão de gravames, os carros financiados voltaram a ser liberados nas revendas de Minas Gerais. Trata-se de registro feito no Detran para informar se o veículo tem algum impedimento de transferência, como um financiamento, por exemplo.

“Uma situação até então insustentável para as revendas. Não adianta estarmos novamente de portas abertas, como é a nova situação na capital, se não podemos revender nossos veículos, o que na maioria das vezes, no país, ocorre via financiamentos”, pondera o diretor comercial da AutoMAIA Veículos, revenda de seminovos referência em Belo Horizonte, Flavio Maia.

O gravame é o documento que diz se o carro está em situação chamada de alienação fiduciária (transferência de bens como garantia para realizar o pagamento de uma dívida, a partir de um acordo estabelecido entre o credor e o devedor). Na prática, o que acontece é que, quando a financeira financia um carro para o cliente, tem que incluir no sistema do Detran o gravame, para o que o departamento de trânsito cobra uma taxa. E esse valor teve aumento, previsto em lei, mas de abusivos 500%.

No entanto, as instituições financeiras se negaram a arcar com esse aumento e travaram a inclusão do gravame. “Para o consumidor que vai às lojas e quem está tentando fazer um financiamento, via bancos ou consórcios, não consegue o carro, porque, sem o gravame, quem está comprando não tem como receber o valor”, continua o empresário.

Após discussões e inúmeras reuniões, instituições bancárias, Detran-MG e revendedoras acabaram entrando em acordo, e o mercado agradece. A perspectiva do setor é para um aumento no volume de negócios para fevereiro, no caso específico em BH ainda mais com a reabertura do comércio depois do período de suspensão das atividades no início de janeiro na cidade, devido à pandemia.

Em relação ao balanço de vendas em janeiro, Flavio Maia pontua exatamente esse novo coeficiente. “Os resultados foram fortemente impactados por essa briga entre os bancos e o Detran. Foram 15 dias sem vender nenhum carro financiado”, diz. E agora, para ele, a mudança nesse cenário aponta para um tom otimista para o mês que se inicia. “Janeiro realmente não foi muito positivo em Minas Gerais. Na AutoMAIA também não. Tivemos o pior janeiro nos últimos anos. Com os financiamentos de volta em fevereiro, o setor está bombando de novo. Bola para frente. Estamos na perspectiva de ter o melhor fevereiro da história”, prevê.

“Impor ao setor automobilístico limitações como as de vendas por meio de contratos de financiamento significa condenar todo o setor à falência, a longo ou curto prazo, uma vez que a realidade brasileira impõe que a maior parte das vendas de veículos automotores seja realizada por meio de financiamento”, pontua o Flavio Maia.

Os últimos dados divulgados pela Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (FENAUTO) mostram um recuo de 4,5% nas vendas, em janeiro de 2021, em comparação com o mesmo período de 2020. No primeiro mês do ano foram comercializados 1.162.057 veículos, contra 1.217.360 em janeiro de 2020.

Já na comparação com a movimentação de dezembro, a queda foi de 27,2%. Embora possa parecer elevado, esse movimento para baixo já era previsto pela entidade, em função, mais uma vez, das restrições impostas pelas autoridades, com a nova onda do COVID-19, e também por janeiro ser naturalmente um mês com muitas despesas extras, como IPTU, IPVA, entre outros.

“Nossa expectativa é a de manter números positivos ao longo de 2021, com a retomada da economia e a chegada da vacina para imunizar a população. Acreditamos que essas variações de mês para mês podem acontecer, mas mantemos a expectativa de resultados melhores do que os do ano passado”, finaliza Maia.

Encontre uma reportagem