A crise financeira e política que abalou o Paraguai acendeu um alerta em toda a América do Sul. A intervenção do Banco Central paraguaio no Ueno Bank, instituição que concentrava milhões de contas, provocou bloqueios de recursos, protestos de correntistas e uma sequência de acontecimentos políticos que culminou no anúncio da renúncia do presidente Santiago Peña, na quinta-feira (5).
Segundo especialistas ouvidos pelo jornal O Tempo, os efeitos da crise podem ultrapassar as fronteiras paraguaias e atingir o Brasil, principalmente nas relações comerciais, nos investimentos e nas negociações do Mercosul.
O impacto sobre a população é uma das principais preocupações. Cerca de 3 milhões de pessoas, quase metade dos habitantes do Paraguai, possuem contas no Ueno Bank e foram afetadas pelo bloqueio de recursos. O Banco Central anunciou uma compensação de até 10 milhões de guaranis, aproximadamente R$ 9,2 mil, para clientes com depósitos na instituição.
A crise também pode comprometer o comércio entre Brasil e Paraguai. Os dois países mantêm relações estratégicas e compartilham a administração da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Para especialistas, uma instabilidade prolongada pode prejudicar empresas e brasileiros que dependem de negócios com o país vizinho.
O cenário ainda levanta preocupações sobre uma possível crise humanitária e o aumento da migração para o Brasil, caso a situação econômica e social se agrave.
ENTENDA A CRISE
A intervenção no Ueno Bank foi determinada em 3 de novembro, após denúncias de fraude e insuficiência de capital. O caso levou à prisão de oito pessoas, incluindo o presidente da instituição, Miguel Vázquez. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, também renunciou ao cargo.
Santiago Peña anunciou sua renúncia em meio a questionamentos da oposição sobre sua antiga ligação com o grupo controlador do banco. O pedido de impeachment apresentado na Câmara também foi aprovado e encaminhado ao Senado.
Os desdobramentos da crise são acompanhados com atenção pelo Brasil, diante dos possíveis reflexos econômicos, diplomáticos e sociais na região.
CRISE NO PARAGUAI PODE TER REFLEXOS DIRETOS NO BRASIL
Fonte: O Tempo, com AFP e FolhaPress
Foto: Daniel Duarte/AFP















