O fotógrafo e videomaker Ramon Rodrigues, de 23 anos, relatou ter sido vítima do crime de injúria racial enquanto estava em uma gelateria localizada no bairro de Lourdes, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, na noite desta quinta-feira (25).
“Um homem chegou, se dirigiu até uma funcionária e perguntou se eu era um tipo de cliente comum naquele estabelecimento”, contou Ramon.
A vítima disse que, inicialmente, estava em uma mesa, consumindo e trabalhando em seu computador portátil, e não percebeu a atitude criminosa, apesar de estar perto do homem que fez o questionamento.
No entanto, na sequência, o homem voltou a fazer a mesma pergunta à funcionária da gelateria.
Ramon contou que, neste momento, não se conteve e resolveu tirar satisfações com o suspeito, gravando a situação pelo celular.
“Por que eu não sou um cliente comum de frequentar esse local?”, questionou a vítima.
Segundo Ramon, em tom irônico, o agressor respondeu cantando uma música e perguntando se estava tudo bem. O homem não quis responder qual era o nome dele.
Após o discussão, o fotógrafo, com o apoio de clientes que testemunharam os fatos, acionou a Polícia Militar.
“A polícia não chegou a tempo, e ele continuou consumindo e lendo um livro. Avistei uma viatura na rua e chamei os policiais, porém, nesse intervalo, o agressor deixou o local, e não conseguimos encontrá-lo mais”, disse Ramon.
Apoio da família e das redes sociais
Ao chegar em casa, após a agressão sofrida, Ramon resolveu contar à família o que ele havia passado. Os pais o incentivaram a publicar os vídeos gravados nas redes sociais, com o objetivo de tentar identificar o agressor e, principalmente, incentivar outras vítimas de crimes semelhantes a fazer o mesmo, ou seja, não deixar impunes esses crimes.
“Já vivenciei isso outras vezes, mas deixei passar por ter medo de ser julgado, criando uma situação delicada. Mas desta vez foi muito pontual. Não quero indenização, quero justiça para que ele não faça o mesmo com outros pretos”, desabafou Ramon.
Após a divulgação dos vídeos nas redes sociais, Ramon recebeu o apoio de dezenas de pessoas, e os advogados que estão à frente do caso conseguiram identificar o autor da injúrias raciais. Ramon, então, registrou um boletim de ocorrência.
A Polícia Civil de Minas Gerais informou por meio de nota que instaurou procedimento para apuração de suposta prática de injúria. A vítima compareceu nessa quinta-feira (25) na Delegacia Especializada de Investigação de Crimes de Racismo, Xenofobia , LGBTfobia e Intolerâncias Correlatas para proceder com a devida representação criminal.
Os responsáveis pelo estabelecimento onde ocorreu o crime não se pronunciaram.
Fonte: Globo Minas.
















