Hip-hop leva combate à violência contra a mulher para escola de Pedro Leopoldo

Por Dentro De Tudo:

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No encerramento do Agosto Lilás, a mobilização pelo fim da violência doméstica na Região Metropolitana de Belo Horizonte ganhou um marco na Escola Municipal Dona Carmem Barroso. Localizada no Bairro Teotônio Batista de Freitas (popularmente chamado de Bairro da Lua), em Pedro Leopoldo, a instituição sediou uma ação artística e formativa inédita em parceria com o Coletivo da Lua. O encontro reuniu cerca de 120 crianças, adolescentes e educadores em uma iniciativa voltada à prevenção do feminicídio e à promoção dos direitos humanos.

 

O Hip-Hop, linguagem periférica consolidada no Vetor Norte como instrumento de transformação social, guiou as intervenções rítmicas dos artistas Ministro (Sacro Santo), Balú (Espada de Fogo), B.Boy Tiago Bsouro (D’aleto antigo Consciência Verbal), Magrobes (Daniel Siqueira) e DJ Patão, com vocais e locução da artista Geovanna Souza. A mediação foi realizada pela psicóloga Ângela Maria Valentim Gonçalves, especialista em Habilidades Sociais e Terapia do esquema, conselheira no Conselho Regional de Psicologia e presidente da Comissão de Relações Étnico-Raciais.

 

A urgência da ação reflete dados alarmantes de segurança pública na RMBH e em Minas Gerais, estado que lidera estatísticas de feminicídio no país, mantendo médias superiores a 40 mortes de mulheres por mês. Apenas na Grande BH, milhares de ocorrências de violência doméstica são registradas a cada trimestre. Em municípios do Vetor Norte como Pedro Leopoldo, Matozinhos e São José da Lapa, os acionamentos às forças policiais e solicitações de medidas protetivas acompanham a média estadual, na qual mais de 80% dos crimes ocorrem dentro de casa, cometidos por companheiros ou ex-companheiros. Além disso, o recorte racial da RMBH aponta que cerca de 62% das vítimas de violência letal são mulheres negras.

 

Para a diretora da escola, Thayagne Ferreira Faustino, levar essa discussão ao ambiente escolar é indispensável para criar um espaço seguro para as estudantes. A psicóloga Ângela Valentim ressaltou que reverter esses números exige munir as jovens de informação e responsabilizar os homens pelo fim da violência. O artista Ministro, fundador do antigo AdicioManos em 2003, enfatizou o papel político da cultura de rua para desconstruir o machismo estrutural e combater a naturalização das agressões nas periferias.

 

Canais de Apoio:

 

Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (gratuito, nacional e 24 horas).

Disque 190: Polícia Militar de Minas Gerais (emergências e risco imediato). 

 

Assista à matéria Aplicativo de apoio a mulheres vítimas de violência doméstica na Região Metropolitana para entender como recursos tecnológicos e redes de denúncia locais vêm sendo utilizados no combate à violência doméstica na região metropolitana de Belo Horizonte.

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