Janeiro Branco: Por que a saúde mental das mães solo precisa entrar no centro do debate em 2026
Janeiro é reconhecido nacionalmente como o mês dedicado à atenção à saúde mental. Criado para promover o diálogo sobre adoecimento emocional, prevenção e cuidado coletivo, o Janeiro Branco se consolidou como uma das principais campanhas de conscientização do país. No entanto, grupos sociais específicos, como as mães solo, ainda permanecem à margem desse debate.
As mulheres que criam filhos sozinhas enfrentam jornadas múltiplas, responsabilidades financeiras, cuidado integral e, muitas vezes, a ausência total de uma rede de apoio. Apesar dessas dificuldades, elas raramente são consideradas um público prioritário nas campanhas institucionais de saúde mental, que costumam abordar o sofrimento emocional de forma genérica, sem levar em conta questões de gênero, maternidade ou condição social.
Dados nacionais indicam que as mulheres apresentam índices mais elevados de ansiedade, depressão e esgotamento emocional. No caso das mães solo, especialistas alertam que o risco é ainda maior, devido à combinação de sobrecarga contínua, solidão e a falta de políticas públicas específicas.
Em Belo Horizonte e na Região Metropolitana, a situação se agrava com as dificuldades de acesso a atendimento psicológico na rede pública, filas de espera prolongadas e a ausência de programas voltados para a saúde mental materna.
Durante este mês, o DeFato Online irá aprofundar esse debate por meio de uma série especial que ilumina o adoecimento mental de mães solo, suas causas estruturais e as falhas de um sistema que, muitas vezes, só reage quando o sofrimento chega ao limite.
O Janeiro Branco é uma campanha nacional criada para incentivar a reflexão sobre saúde mental, a prevenção do adoecimento emocional e a importância do cuidado psicológico ao longo de todo o ano. A iniciativa busca romper o silêncio, combater estigmas e ampliar o acesso à informação sobre sofrimento psíquico.
A violência psicológica, que se caracteriza por humilhações, ameaças, chantagens, isolamento, controle excessivo, desqualificação constante e outras práticas que afetam a autoestima e a saúde emocional da mulher, também é um fator que contribui para o adoecimento. Por não deixar marcas físicas, muitas vítimas demoram a reconhecer que estão vivendo uma situação de violência.
Especialistas alertam que a violência psicológica pode desencadear ansiedade, depressão, crises de pânico e esgotamento emocional, especialmente entre mães solo, que já enfrentam uma sobrecarga constante.
As mulheres podem buscar ajuda e denunciar situações de violência por meio da Central de Atendimento à Mulher, ligando para o número 180, que funciona 24 horas e é gratuito. Em situações de risco imediato, é possível acionar a Polícia Militar pelo número 190. O Sistema Único de Saúde (SUS) e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) oferecem acolhimento e atendimento em saúde mental. O Centro de Valorização da Vida (CVV), disponível pelo número 188, oferece atendimento gratuito e sigiloso para apoio emocional, 24 horas por dia.
Qualquer pessoa pode denunciar uma situação de violência psicológica, mesmo que a vítima ainda não consiga identificar ou reconhecer que está sendo violentada. Familiares, vizinhos, amigos e profissionais devem acionar os canais oficiais, podendo fazer a denúncia de forma anônima. Reconhecer, falar e denunciar são passos fundamentais para interromper ciclos de violência e proteger a saúde mental das mulheres.
Fonte: DeFato Online. Crédito da foto: [inserir crédito da foto aqui].

















