Trabalhar como motorista de aplicativo em Minas Gerais tem se tornado uma atividade marcada pela insegurança. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que, em 2025, foram registradas 3.376 ocorrências envolvendo profissionais da categoria, uma média de nove vítimas por dia. Entre os crimes, o roubo lidera as estatísticas, com 1.121 registros ao longo do ano.
A realidade tem levado muitos condutores a mudar hábitos e adotar estratégias próprias para tentar evitar situações de risco. Alguns deixaram de trabalhar à noite, enquanto outros evitam corridas para determinadas regiões consideradas mais perigosas.
Motoristas relatam que o medo faz parte da rotina. Muitos afirmam já ter sido vítimas de assaltos, ameaças e até abordagens com armas durante o trabalho. A sensação de vulnerabilidade também gera cobranças por mais segurança e investimentos em ferramentas de proteção por parte das plataformas de transporte.
Representantes da categoria defendem a criação de mecanismos como botão do pânico integrado às forças de segurança e sistemas mais rigorosos de identificação de passageiros. Segundo o Sindicato de Condutores por Aplicativo em Minas Gerais, os crimes contra motoristas acontecem diariamente e ainda faltam medidas efetivas para garantir maior proteção aos profissionais.
Outro ponto de preocupação é a subnotificação. Especialistas alertam que muitos motoristas deixam de registrar ocorrências por acreditarem que não haverá solução, o que dificulta a criação de políticas públicas voltadas ao combate da violência.
Em nota, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas como Uber e 99, questionou a metodologia utilizada no levantamento da Sejusp e destacou que as plataformas investem continuamente em recursos tecnológicos de segurança, incluindo compartilhamento de localização, gravação de áudio e ferramentas de emergência.
Enquanto o debate sobre novas medidas avança, milhares de motoristas seguem enfrentando diariamente o desafio de garantir o sustento da família sem saber se voltarão para casa em segurança ao final de cada corrida.
Foto: Fred Magno / O TEMPO
Fonte: O TEMPO
















