A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entrou em vigor nesta terça-feira (26), amplia a responsabilidade das empresas na prevenção de problemas de saúde mental relacionados ao ambiente de trabalho. A nova regra obriga empregadores a identificar, prevenir e gerenciar fatores que possam provocar adoecimento psicológico entre trabalhadores.
Entre os riscos que passam a exigir atenção das empresas estão metas abusivas, jornadas excessivas, assédio moral, assédio sexual, sobrecarga de trabalho e falhas na organização do ambiente laboral. Com isso, a saúde mental deixa de ser tratada apenas como responsabilidade individual e passa a integrar oficialmente as políticas de saúde e segurança do trabalho.
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, a principal mudança é a priorização da prevenção. A nova NR-1 exige que empresas adotem medidas concretas para reduzir riscos psicossociais e fortaleçam canais de escuta e participação dos funcionários.
O tema ganha relevância diante do aumento dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil. Dados da Previdência Social apontam crescimento consecutivo dos casos, especialmente entre profissionais submetidos à pressão intensa, jornadas prolongadas e ambientes considerados adoecedores.
Entre as profissões mais afetadas aparecem vendedores do comércio varejista, faxineiros, auxiliares administrativos, profissionais da saúde, motoristas e vigilantes — categorias frequentemente expostas a metas, pressão constante e situações traumáticas.
A enfermeira Adriana Fraga, de 51 anos, relatou ao g1 que desenvolveu ansiedade, depressão, síndrome do pânico e fibromialgia após anos atuando sob pressão em unidades de saúde. Segundo ela, o desgaste emocional e a ausência de suporte psicológico agravaram o quadro.
Outro caso citado é o da operadora de caixa Alana, de 25 anos, que afirma ter desenvolvido crises de ansiedade e depressão em razão de cobranças excessivas, metas elevadas e jornadas prolongadas no setor varejista.
Especialistas afirmam que a nova regulamentação fortalece o entendimento de que transtornos mentais relacionados ao trabalho também devem ser tratados como questão de saúde ocupacional. A mudança permite maior fiscalização preventiva e amplia a possibilidade de responsabilização das empresas em ambientes considerados nocivos à saúde emocional.
Segundo a juíza do trabalho Mirella Cahú, o foco deixa de estar apenas no indivíduo e passa a incluir a organização do trabalho. Já o auditor-fiscal Rogério Araújo afirmou que a fiscalização trabalhista está sendo preparada para monitorar riscos psicossociais dentro das empresas.
Como denunciar
Trabalhadores podem denunciar situações de assédio, pressão abusiva e riscos psicossociais por diferentes canais:
• Canal de Denúncias da Inspeção do Trabalho
• Plataforma Fala.br
• Central Alô Trabalho – telefone 158
• Superintendências Regionais do Trabalho
• Ministério Público do Trabalho (MPT)
• Disque 100
Especialistas orientam que as denúncias sejam feitas com o máximo possível de informações para facilitar a apuração dos fatos.
📸 Crédito da foto: Luisa Rivas e Otávio Camargo / g1
📰 Fonte: G1 / Globo — matéria publicada em 27 de maio de 2026.

















