PBH fala de retorno das aulas presenciais em março, mas ainda não ‘crava’ data

Por Dentro De Tudo:

Compartilhe

Quase um ano após as escolas públicas e particulares de Belo Horizonte fecharem temporariamente as portas na tentativa de frear o avanço do novo coronavírus, ainda não há data definida para volta às aulas presenciais. Apesar de não cravar o dia exato, a prefeitura tem expectativa de que o retorno ocorra em março e que começará pelas crianças de 0 a 5 anos, faixa etária que ficou de fora das atividades a distância.

O fechamento das escolas municipais foi anunciado em 17 de março do ano passado e passou a valer a partir do dia 19. Nas estaduais, as aulas foram suspensas no dia 18, mesma data em que as particulares decidiram fechar temporariamente as portas. Em 24 de setembro, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) cassou o alvará das instituições particulares, impedindo o retorno antes da estabilidade nos indicadores da Covid-19.

Para o retorno, o Comitê de Enfrentamento à Covid-19, que pauta as decisões da capital, chegou a defender que a incidência deveria atingir o patamar de 20 por 100 mil habitantes. Agora, a prefeitura mudou o discurso e diz que está em constante diálogo com especialistas da área da saúde e Ministério Público para esta retomada e não descarta “flexibilizar” o protocolo.

“Belo Horizonte vem trabalhando com a possibilidade de um retorno gradual, dentro de protocolos muito rígidos, do retorno as aulas a partir de março, principalmente para aquele grupo de crianças mais jovens e depois com a monitoração e depois ampliando isso para as outras faixas. Mas obviamente que vai depender das condições logísticas de cada escola e da taxa de transmissão na cidade, essa taxa vem diminuindo, vem caindo progressivamente”. disse o infectologista Estevão Urbano.

A volta presencial prevê três fases: a primeira que se concentrará nos alunos da educação infantil de 0 a 5 anos. A segunda fase (com alunos de 6 a 8 anos) e a terceira fase (com as crianças de 9 a 14 anos), ainda não tem nem sequer previsão de retorno, porque dependerão da evolução dos indicadores da pandemia em BH.

Enquanto os estudantes não voltam às salas de aula, metodologias de ensino a distância foram adotadas na tentativa de manter o vínculo e aprendizado de crianças e adolescentes do ensino fundamental. Mas, o ensino remoto não foi alternativa para as crianças da educação infantil da rede pública e teve baixa adesão nas particulares.

Desafios das aulas online na educação infantil

As primeiras escolas a adotarem as aulas a distância foram as particulares. Mas o formato não teve a aprovação de grande parte das famílias de crianças de zero a cinco anos, que optou pelo cancelamento da matrícula, conta a presidente do Sindicato das Escolas Particulares (Sinep), Zuleica Reis Ávila.

“Tem escola com zero matrículas. Os professores retornaram remotamente, mas não tem aluno. Acredito que mais de 40% das escolas de educação infantil já fecharam”, disse ela.

Outro problema enfrentado pelas instituições particulares é que o Conselho Municipal de Educação não aprovou o ensino remoto para esta faixa etária, desconsiderando a carga horária dada em 2020.

Já as crianças das Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEI), com idades até 5 anos, não tiveram aulas online durante todo o período. O que houve, segundo a Secretaria Municipal de Educação, foram algumas “interações de forma remota”, uma vez que houve flexibilização do calendário escolar por Lei Federal.

“As atividades remotas desenvolvidas tiveram como objetivo o fortalecimento dos vínculos entre escola e famílias, além de orientações para atividades possíveis no contexto familiar”, afirmou em nota.

Encontre uma reportagem