Um relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek pode ter sido morto pela ditadura militar em 1976, contrariando a versão oficial que atribui sua morte a um acidente de carro na Rodovia Presidente Dutra, no Rio de Janeiro.
A informação foi divulgada inicialmente pela Folha de S.Paulo e confirmada pela TV Globo nesta sexta-feira (8). O parecer, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, possui mais de cinco mil páginas e ainda precisa ser aprovado pelos integrantes da comissão para se tornar a versão oficial do colegiado.
Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o relatório segue em análise e ainda não foi submetido à votação. O documento começou a ser discutido na 7ª Reunião Ordinária da CEMDP, realizada em abril deste ano.
Juscelino Kubitschek morreu em agosto de 1976, quando o Chevrolet Opala em que viajava com o motorista Geraldo Ribeiro colidiu com um caminhão na altura de Resende (RJ). Na época, a ditadura militar afirmou que o acidente aconteceu após uma tentativa de ultrapassagem envolvendo um ônibus.
Ao longo das últimas décadas, porém, surgiram diferentes suspeitas de atentado político devido ao contexto da ditadura militar e da Operação Condor, ação coordenada entre regimes militares da América do Sul para perseguir opositores políticos.
O novo relatório foi produzido com base em documentos públicos e investigações anteriores, incluindo um inquérito do Ministério Público Federal concluído em 2019, além de um laudo pericial que contestou a versão de colisão inicial com um ônibus.
Conhecido como JK, o ex-presidente governou o Brasil entre 1956 e 1961 e ficou marcado pela construção de Brasília e pelo plano de metas conhecido como “50 anos em 5”. Após o golpe militar de 1964, teve os direitos políticos cassados.
Crédito da matéria: g1 Minas
Crédito da foto: Arquivo Público do Distrito Federal
Fonte: g1 Minas Gerais / TV Globo

















