Sabe aquela sensação de estar sendo vigiado pelas grandes marcas e ensinamos como dar um basta nisso

Por Dentro De Tudo:

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 Você pesquisa um tênis e, minutos depois, parece que ele começa a perseguir você pela internet. Abre uma rede social e lá está o anúncio. Entra em outro site e encontra novamente o mesmo produto. Embora isso possa parecer coincidência, boa parte dessa experiência está relacionada à coleta de informações sobre a nossa navegação. Por isso, entender melhor a privacidade digital é importante para quem deseja ter mais controle sobre os próprios dados e sobre aquilo que empresas conseguem saber a respeito dos seus hábitos.

Esse cuidado passa por escolhas que fazemos diariamente, inclusive nos serviços usados para comunicação. O e-mail, por exemplo, concentra conversas, confirmações de compras, cadastros e informações pessoais. Por isso, vale observar quais dados são pedidos ao abrir uma conta, quais configurações de privacidade estão disponíveis e como essas informações podem ser tratadas.

Não é preciso abandonar a internet ou viver apagando tudo o que faz online. Algumas mudanças simples já ajudam a reduzir bastante a quantidade de informações compartilhadas sem necessidade.

Por que parece que os anúncios sabem tudo sobre você?

A publicidade digital evoluiu muito nos últimos anos. Hoje, empresas conseguem conhecer interesses do público a partir de diferentes sinais deixados durante a navegação.

Uma pesquisa feita no navegador, uma visita a determinada página ou até a interação com um anúncio pode ajudar a formar um perfil de interesses.

É por isso que, depois de procurar passagens para determinado destino, você pode começar a receber anúncios de hotéis, malas, seguros e passeios relacionados àquela viagem e o mesmo acontece com produtos.

Pesquisou um sofá? É bem possível que lojas de móveis apareçam nas suas redes sociais durante os próximos dias.

Essa personalização pode ser útil em alguns momentos. O problema começa quando o usuário não sabe quais informações estão sendo coletadas ou sente que perdeu o controle sobre elas.

Privacidade digital também depende das suas escolhas

Muita gente acredita que não existe nada que possa ser feito para diminuir esse acompanhamento. Porém, os próprios celulares, navegadores e aplicativos oferecem opções para limitar parte da coleta de informações.

Um aplicativo de lanterna, por exemplo, realmente precisa saber sua localização? Um jogo precisa acessar seus contatos? Nem sempre.

Nos celulares, é possível conferir quais aplicativos podem acessar localização, câmera, microfone, fotografias e outros recursos. Revogar permissões que não fazem sentido é uma mudança simples e rápida.

O mesmo vale para extensões instaladas no navegador. Se você não lembra por que determinada extensão está ali, talvez seja uma boa hora para avaliar se ainda precisa dela.

Aceitar todos os cookies não precisa ser automático

Você provavelmente já abriu um site e encontrou uma janela perguntando se aceita cookies. Muita gente clica imediatamente em “aceitar tudo” apenas para fazer o aviso desaparecer.

No entanto, quando o site oferece opções de configuração, vale gastar alguns segundos para conferir o que está sendo autorizado. Alguns cookies são necessários para o funcionamento da página. Outros podem estar relacionados à medição de audiência ou à publicidade.

Não significa que todos sejam perigosos. A questão é ter escolha sobre o que deseja compartilhar. No Brasil, esse debate ganhou ainda mais importância com a Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD.

Autoridade Nacional de Proteção de Dados explica que a legislação estabelece princípios e regras para o tratamento de dados pessoais no país e também garante direitos aos titulares dessas informações.

Seus dados também têm valor financeiro

Saber quais produtos alguém procura, quanto costuma gastar ou quais assuntos chamam sua atenção ajuda marcas a direcionar campanhas com mais precisão. Até informações financeiras fazem parte dessa realidade.

Discussões sobre temas como a inadimplência do consignado mostram como dados relacionados ao comportamento financeiro ajudam a compreender mudanças importantes entre os consumidores brasileiros.

No ambiente digital, entretanto, não são apenas bancos ou instituições financeiras que possuem informações sobre as pessoas.

Aplicativos, lojas, redes sociais e diferentes serviços online podem receber dados fornecidos pelo próprio usuário durante um cadastro.

É por isso que vale pensar duas vezes antes de preencher campos que não parecem necessários.

Aplicativos antigos podem continuar guardando informações

Faça um exercício simples: pense em quantos aplicativos você instalou nos últimos cinco anos. Provavelmente você não se lembra de todos.

Muitos foram usados uma ou duas vezes e depois esquecidos. O problema é que as contas criadas podem continuar existindo. Por isso, uma boa faxina digital inclui revisar aplicativos e serviços antigos.

Se você não usa mais determinada plataforma, procure saber se é possível apagar a conta e os dados associados a ela. Também vale revisar as contas conectadas às redes sociais. Durante anos, muitos sites permitiram criar perfis usando diretamente a conta de outra plataforma.

Com o tempo, é fácil esquecer quais serviços receberam essa autorização.

Evite entregar informações apenas por conveniência

Alguns cadastros pedem uma quantidade enorme de dados, como nome, telefone, data de nascimento, endereço, profissão e várias outras informações podem aparecer no mesmo formulário.

Antes de preencher tudo, pergunte: esse serviço realmente precisa saber disso? Uma loja que envia um produto precisa do endereço de entrega. Isso faz sentido.

Mas um aplicativo simples pode não precisar conhecer sua profissão ou acessar sua localização durante todo o dia. Quanto menos informações desnecessárias você entrega, menor é a quantidade de dados espalhados por serviços diferentes. Isso também reduz o impacto caso alguma empresa sofra um vazamento no futuro.

Senhas continuam sendo uma parte importante da proteção

Privacidade e segurança caminham juntas. Se alguém consegue entrar em uma conta, pode ter acesso a conversas, documentos, histórico de compras e várias outras informações.

Por isso, evite repetir a mesma senha em diferentes serviços. Quando uma senha vaza, criminosos podem testá-la automaticamente em outras plataformas. Se todas forem iguais, uma única exposição pode abrir várias portas.

Ativar a confirmação em duas etapas também é recomendável. Assim, mesmo que alguém descubra sua senha, ainda encontrará uma segunda barreira para acessar a conta.

Desconfie das mensagens que sabem demais sobre você

Uma das consequências da exposição de informações pessoais é a criação de golpes mais convincentes. Imagine receber uma mensagem que sabe seu nome, conhece uma empresa onde você comprou recentemente e apresenta informações aparentemente corretas.

É muito mais fácil acreditar nela. Por isso, dados pessoais expostos podem ajudar criminosos a construir histórias capazes de enganar até pessoas cuidadosas.

No Brasil, o CERT.br mantém materiais educativos sobre golpes, privacidade, vazamentos e outros problemas relacionados à segurança online. Uma das principais recomendações é desconfiar de mensagens inesperadas e evitar clicar automaticamente em links recebidos.

Se um banco, loja ou empresa enviar algo estranho, procure o canal oficial por conta própria antes de fornecer qualquer informação.

Não é preciso desaparecer da internet para recuperar o controle

Buscar mais privacidade não significa abandonar redes sociais, deixar de comprar pela internet ou parar de usar aplicativos. A ideia é simplesmente fazer escolhas mais conscientes.

Revise permissões, apague contas antigas, configure os cookies quando possível e pense antes de fornecer informações pessoais. Também vale conferir periodicamente as configurações das redes sociais. Muitas plataformas permitem limitar a personalização de anúncios ou controlar parte das informações usadas para essa finalidade.

São mudanças pequenas, porém somadas podem reduzir bastante a sensação de que cada passo dado na internet está sendo acompanhado.

No fim, a privacidade digital depende tanto das regras que empresas precisam seguir quanto das escolhas feitas pelos próprios usuários. Quanto mais entendemos quais informações entregamos e para quem elas são entregues, maior é o controle sobre nossa vida online. E talvez aquele anúncio que parece seguir você por todos os cantos finalmente comece a aparecer um pouco menos.

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