O crescimento do uso de cigarros eletrônicos, especialmente entre adolescentes e jovens adultos, tem preocupado especialistas devido ao risco de desenvolvimento futuro de câncer de boca. Embora ainda não exista aumento expressivo de casos relacionado ao vape, pesquisas apontam que o vapor desses dispositivos provoca alterações celulares e genéticas que podem favorecer o surgimento de tumores ao longo dos anos.
Segundo a cirurgiã de cabeça e pescoço Ana Gabriela Neis, do Hospital São Marcelino Champagnat, o principal desafio é a prevenção. Como o câncer costuma levar anos para se desenvolver, os impactos do consumo atual tendem a aparecer apenas no futuro.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostram que o câncer de boca registra cerca de 15,1 mil novos casos por ano no Brasil. Já o levantamento Vigitel 2024, do Ministério da Saúde, aponta que 10,1% dos jovens entre 18 e 24 anos utilizam cigarros eletrônicos, enquanto 24,8% já experimentaram o dispositivo.
Estudos também indicam que o aerossol do vape provoca inflamação, estresse oxidativo, redução da imunidade local e danos ao DNA das células da boca. Além da nicotina, os dispositivos podem conter substâncias que, quando aquecidas, liberam compostos tóxicos e metais pesados, como chumbo, níquel e cromo.
Os especialistas orientam atenção a sinais como feridas na boca que não cicatrizam por mais de duas semanas, dor ao engolir, rouquidão persistente, sangramentos sem causa aparente e caroços no pescoço. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura e reduz as sequelas do tratamento.
Foto: Divulgação
Fonte: Hospital São Marcelino Champagnat / Inca
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