O projeto de concessão das rodovias do Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte, que inclui trechos das rodovias MG-424 e MG-010, segue em debate após questionamentos levantados pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) e por parlamentares da oposição na Assembleia Legislativa. A proposta foi apresentada pelo Governo de Minas Gerais no início de 2025 e prevê a cobrança de pedágios em vias estratégicas de acesso ao Aeroporto Internacional de Confins, à Serra do Cipó e a municípios como Vespasiano e Lagoa Santa.
Diante das dúvidas técnicas e jurídicas, o TCE-MG instaurou uma mesa de conciliação para aprofundar a análise do projeto. Segundo o secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, Pedro Bruno, o governo está aberto ao diálogo e à possibilidade de ajustes. Ele afirmou que o Estado pretende reavaliar pontos do plano para que seja possível avançar de forma consensual.
De acordo com o secretário, a concessão do Vetor Norte integra uma estratégia mais ampla de modernização da infraestrutura viária mineira, baseada na complementaridade entre investimentos públicos e privados. Ele citou intervenções já realizadas ou em andamento na Região Metropolitana de Belo Horizonte, como melhorias em rodovias federais e estaduais, ressaltando que grandes projetos estruturantes são fundamentais para acompanhar o crescimento urbano e o aumento do fluxo de veículos.
A principal preocupação dos motoristas está relacionada ao impacto dos pedágios nos deslocamentos diários, especialmente em trajetos frequentes, como o acesso ao aeroporto e a circulação entre cidades da Grande BH. Para minimizar esse efeito, o projeto prevê medidas como isenção de tarifa a partir da segunda passagem no mesmo dia, ampliação do desconto para usuários frequentes e um período inicial sem cobrança, conhecido como “marcha branca”, para adaptação da população.
Além da cobrança de tarifas, o plano contempla uma série de investimentos, incluindo iluminação pública na MG-424, melhorias em passarelas — especialmente no entorno do aeroporto —, construção de contornos viários em pista dupla em Lagoa Santa, Prudente de Morais e Matozinhos, além da implantação de viadutos, pontes, passarelas e pontos de ônibus ao longo do traçado concedido.
Pedro Bruno destacou que os atuais problemas de mobilidade da região metropolitana não podem ser resolvidos sem intervenções estruturais de grande porte. Segundo ele, o crescimento do número de carros e motocicletas tem agravado os congestionamentos e impactado diretamente a qualidade de vida da população, com perda de tempo produtivo e de convívio familiar.
Para o governo, a solução passa por uma atuação conjunta entre municípios, Estado, União e iniciativa privada. Parte dos investimentos deve vir do orçamento público, enquanto outra parcela será viabilizada por meio das concessões. A conciliação entre o governo estadual e a oposição na Assembleia Legislativa, mediada pelo TCE-MG, ainda não tem data definida para ocorrer.
Fonte da foto: Agência Minas / Divulgação
















