Cinco dos oito casos suspeitos de hantavírus foram confirmados, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Até o momento, três pessoas que estavam a bordo morreram. A OMS informou que a ameaça à saúde pública decorrente do surto permanece baixa, mas ressaltou que a autoridade está ciente de relatos de outros pacientes e que mais casos podem surgir nos próximos dias devido ao longo período de incubação do vírus. Um especialista da OMS está a bordo do navio para acompanhar os passageiros até a chegada em Tenerife, ilha da Espanha.
O órgão também listou os países cujos cidadãos desembarcaram na ilha de Santa Helena: Canadá, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia, São Cristóvão e Nevis, Singapura, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos. A OMS notificou os países de origem dos passageiros para que os possíveis casos possam ser monitorados.
Suspeitas fora do navio
Pacientes na França, Holanda e em Singapura que não estiveram no cruzeiro MV Hondius, infectado com o hantavírus, estão sob investigação por suspeita da doença. Essas são as primeiras suspeitas em pessoas que não estiveram no cruzeiro onde o surto foi registrado. O navio partiu da Argentina no início de abril, e dias depois, um passageiro alemão morreu após contrair o vírus. Um casal holandês também morreu, e outras oito pessoas a bordo, incluindo um cidadão suíço, são suspeitas de terem contraído o vírus, segundo a OMS. A origem do contágio fora do navio pode estar relacionada a um voo em Joanesburgo, na África do Sul, segundo autoridades.
Além disso, há outros pacientes com suspeita do vírus: o governo de Singapura informou que duas pessoas foram isoladas. Elas estavam no voo com a viúva da primeira vítima morta no cruzeiro. Na Holanda, uma comissária de bordo da companhia aérea KLM que teve contato com a viúva foi internada em Amsterdã após apresentar possíveis sintomas; as autoridades sanitárias holandesas entraram em contato com todas as pessoas que também estiveram no voo, segundo comunicado da KLM.
O jornal The New York Times afirmou que três estados dos Estados Unidos — Califórnia, Geórgia e Arizona — monitoram pacientes com sintomas suspeitos de hantavírus. Um cidadão francês esteve em contato com uma pessoa que contraiu o vírus, mas não apresenta sintomas e está sob monitoramento, afirmou o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, afirmou que a OMS está trabalhando com países relevantes para rastrear o vírus. “De acordo com o Regulamento Sanitário Internacional (RSI), a OMS está trabalhando com os países relevantes para apoiar o rastreamento internacional de contatos, garantindo que aqueles potencialmente expostos sejam monitorados e que qualquer disseminação adicional da doença seja limitada”, declarou o diretor-geral.
O caso identificado em um navio de cruzeiro é considerado pouco comum e tem transmissão entre humanos. O hantavírus causou mortes a bordo, e 40 passageiros desembarcaram na ilha de Santa Helena após o registro da primeira morte no navio, segundo o governo holandês. Desses, 29 não retornaram à embarcação, segundo a operadora. Esse grupo incluía a viúva de um homem holandês que morreu, que desembarcou durante uma parada na ilha e segue para a África do Sul.
Os passageiros viajavam no cruzeiro MV Hondius, da Oceanwide Expeditions. O itinerário divulgado apontava saída de Ushuaia, Argentina, com término originalmente previsto em Cabo Verde. Três pessoas morreram no cruzeiro, e outras infecções por hantavírus foram confirmadas pela OMS. A divulgação do desembarque na ilha de Santa Helena gerou debate sobre possíveis contaminações adicionais, já que o contato desses passageiros com moradores locais pode representar um problema de saúde pública. A Oceanwide Expeditions não havia informado sobre outros passageiros que também desembarcaram durante a parada em Santa Helena, limitando-se a divulgar apenas a saída da viúva com o corpo do marido.
A imagem aérea mostra o navio de cruzeiro MV Hondius, onde três pessoas morreram com suspeita de contaminação por hantavírus. A AFP publicou a foto. Os hantavírus são transmitidos principalmente por roedores infectados e podem causar problemas respiratórios e cardíacos, além de febres hemorrágicas.
As autoridades holandesas não confirmaram onde estão agora os passageiros que desembarcaram. Autoridades na África do Sul e na Europa tentam rastrear contatos de quaisquer passageiros que tenham deixado o navio. A ilha de Santa Helena é um território ultramarino britânico localizado no Atlântico Sul, famosa por ter sido o local de morte de Napoleão Bonaparte.
Fonte: G1 — https://ift.tt/PEFjQvG
Crédito da foto: AFP
Fonte da matéria: G1, May 7, 2026.


















