Apesar de ser obrigatória desde 2013, a pré-escola ainda não alcançou todas as crianças no Brasil. Um levantamento do QEdu, com base em indicadores do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional e apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento, revela que 16% dos municípios brasileiros têm menos de 90% das crianças de 4 e 5 anos matriculadas.
Atualmente, são 876 municípios com cobertura insuficiente, totalizando cerca de 329 mil crianças fora da pré-escola — etapa considerada fundamental para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional.
O estudo cruza dados do Censo Escolar com projeções populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, permitindo estimar o nível de atendimento em cada cidade e acompanhar sua evolução ao longo do tempo.
Desigualdade regional persiste
Os dados mostram um cenário desigual no país. A região Norte concentra os piores índices: 29% dos municípios não atingem 90% de atendimento, número quase três vezes maior que o da região Sul, onde esse percentual é de 11%.
Já o Nordeste aparece com o maior número absoluto de municípios abaixo da meta, somando 104 cidades (17%). Enquanto isso, regiões como Sul e Sudeste apresentam índices mais próximos da universalização.
Mesmo nas capitais, as diferenças são evidentes. Algumas cidades já atingiram 100% de matrícula, enquanto outras ainda registram cobertura inferior a 80%.
Acesso ainda depende de renda e localização
O local onde a criança vive continua sendo um fator determinante. Crianças em áreas rurais e de famílias de baixa renda enfrentam mais dificuldades para acessar a pré-escola, seja pela falta de vagas ou pela distância das unidades.
A situação é ainda mais crítica nas creches (0 a 3 anos). Cerca de 2,3 milhões de crianças dessa faixa etária estavam fora da escola em 2024.
Segundo o levantamento, 81% dos municípios brasileiros têm menos de 60% de atendimento em creches — índice abaixo da meta estabelecida pelo novo Plano Nacional de Educação para o período de 2026 a 2036.
Estrutura precária agrava o problema
Além da falta de vagas, a qualidade da estrutura das unidades preocupa. Apenas 17% das escolas públicas de educação infantil possuem infraestrutura considerada adequada.
Embora todas ofereçam alimentação, muitas ainda enfrentam problemas básicos, como ausência de rede de esgoto, coleta de lixo e abastecimento de água. Espaços essenciais para o desenvolvimento infantil também são limitados: apenas 45% das unidades têm parque e 36% contam com área verde.
O cenário indica que o desafio da educação infantil no Brasil vai além do acesso — envolve também garantir condições adequadas para o desenvolvimento das crianças desde os primeiros anos de vida.
EDUCAÇÃO INFANTIL AINDA ENFRENTA DESAFIOS NO PAÍS
Crédito da matéria: Redação
Crédito da foto: Foto: Altemar Alcantara/Semcom/Agência Senado
Fonte: G1

















