A maioria dos pacientes com câncer de pulmão atendidos pelo SUS recebe o diagnóstico quando a doença já está em estágio avançado. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), com dados do sistema público, aponta que 87% dos registros entre 2020 e 2025 estavam nos estágios 3 ou 4.
Dos cerca de 49 mil registros analisados, 64,1% correspondiam ao estágio 4, quando o câncer já se espalhou para outras partes do corpo. Outros 23,8% estavam no estágio 3.
O câncer de pulmão é atualmente o tipo de câncer que mais mata no Brasil, com cerca de 31 mil mortes por ano, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Especialistas explicam que um dos principais problemas é que a doença costuma evoluir silenciosamente. Tosse e falta de ar, quando aparecem, podem ser confundidas com problemas respiratórios comuns, especialmente entre fumantes e ex-fumantes.
O tabagismo continua sendo o principal fator de risco. Segundo o Inca, fumantes podem ter até 30 vezes mais risco de morrer por câncer de pulmão do que pessoas que nunca fumaram.
Outro desafio é que o Brasil ainda não possui um programa de rastreamento da doença pelo SUS. O Inca realiza um estudo para avaliar como esse tipo de estratégia poderia ser implantado na rede pública.
A tomografia computadorizada de baixa dose é o principal exame utilizado para rastrear a doença em pessoas consideradas de alto risco. A identificação precoce aumenta as possibilidades de tratamento, inclusive por cirurgia.
Texto: Poliana Casemiro/g1
Foto: Arte/g1














