Como conversar com meninas e meninos sobre a primeira menstruação

Por Dentro De Tudo:

Compartilhe

A primeira menstruação pode despertar dúvidas, medo e insegurança, mas especialistas defendem que o assunto seja tratado com naturalidade e informação — inclusive com os meninos.

Para a pesquisadora Caroline Arcari, menstruar não significa “virar mulher”. Uma menina de 9 anos que menstrua continua sendo criança. A puberdade representa uma nova etapa de maturação do organismo, e a menstruação é uma das manifestações desse processo.

A orientação é explicar o funcionamento do corpo de forma simples e adequada à idade, sem transformar a conversa em uma aula completa de fisiologia. Também é importante deixar claro que o sangue menstrual não é “sujo” e que cólicas muito intensas ou incapacitantes não devem ser naturalizadas e precisam de avaliação profissional.

Além da explicação, a preparação prática pode diminuir a insegurança. Os pais podem montar com a filha um pequeno nécessaire com absorventes, calcinha limpa e um saco para guardar uma eventual peça de roupa suja. Também é importante conversar antes sobre situações como vazamentos na escola e possíveis cólicas.

Meninos também precisam participar da conversa

Especialistas ressaltam que os meninos não devem ficar de fora. Eles precisam entender que a menstruação é um processo natural do corpo e aprender, desde cedo, que um eventual vazamento de sangue não é motivo para piada ou constrangimento.

A educação sobre o tema pode ajudar a combater o preconceito e incentivar atitudes de respeito. Em uma situação de vazamento, por exemplo, a orientação é não apontar, não chamar outras pessoas para olhar e, quando possível, avisar a colega de maneira discreta ou procurar um adulto responsável.

A psicóloga Carol Petrolini também defende uma abordagem acolhedora para a primeira menstruação. Autora do livro “A Lua de Alice”, ela utiliza a história de uma menina que passa pela menarca na casa da avó para abordar dúvidas, inseguranças e os ciclos menstruais. A obra foi publicada pela Cortez Editora em 2020. 

A principal orientação dos especialistas é não esperar a primeira menstruação acontecer para iniciar a conversa. Quanto antes crianças e adolescentes tiverem acesso a informações adequadas, maior a possibilidade de enfrentarem as mudanças da puberdade com segurança, conhecimento e respeito.

Fonte: O Globo
Foto: Imagem gerada por inteligência artificial
Instagram: @carol.petrolini

Encontre uma reportagem