Levantar cedo e, com certo temor, conferir se tem água na torneira de casa virou rotina para milhares de brasileiros. Segundo a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), que atua em 591 dos 853 municípios do Estado, houve 2.031 paralisações no ano passado, com impacto em 3.448 residências. Em 2019, foram registradas 2.806 interrupções temporárias de abastecimento, que afetaram 3.246 residências. O tempo médio de interrupção do serviço é de 13 horas, segundo a concessionária.
Brasil
O abastecimento de água no país é interrompido mais de 200 mil vezes por ano, em média, com duração de oito dias, diz levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria em março de 2020.
MANUTENÇÃO É O MOTIVO PARA MAIORIA DAS INTERRUPÇÕES
O superintendente da Unidade de Negócio Metropolitano da Copasa, Sérgio Neves Pacheco, afirma que a maioria das interrupções se dá principalmente para que haja manutenções na rede e que as paralisações ultrapassam 13 horas apenas em casos especiais. “São casos de exceção. Na maioria dos casos, os trabalhos são executados no mesmo dia”, garante.
Ele explicou que o tempo de duração do desabastecimento depende do tamanho do evento. “No fim de semana passado, por exemplo, tivemos o rompimento de uma grande adutora em Lagoa Santa. Nesse caso, a manutenção durou mais de 24 horas”, detalhou.
De acordo com o gestor, como o sistema metropolitano é integrado, apesar de a interrupção ser em uma cidade, o problema também pode estar em outra. “A maioria dos sistemas produtores hoje está a 60 km ou 70 km da ponta. A água que vai a Lagoa Santa hoje, por exemplo, vem de Brumadinho. Às vezes você precisa viajar para ver o problema”, pontua.
Segundo a Copasa, os motivos para o desabastecimento incluem interligação de novas redes, falta de energia nas estações de bombeamento, vandalismo e furto de equipamentos do sistema de distribuição.
Perfil
A Copasa informou que atende 591 municípios de Minas Gerais. Vivem nessas cidades 12,7 milhões de pessoas, mas 40 mil delas não têm abastecimento de água.
Em 254 dessas cidades, a Copasa também fornece sistema de tratamento de esgoto.
ESPECIALISTA ASSOCIA SITUAÇÃO A URBANIZAÇÃO DESORDENADA
Professor universitário e mestre em saneamento, Lucas Marques Pessoa pontua que os problemas de interrupção no abastecimento de água no país estão ligados ao crescimento acelerado nas cidades brasileiras, sem planejamento, principalmente a partir da década de 70.
“A gente tem um problema no Brasil que é a organização. A falta de planejamento e um crescimento muito acelerado das cidades nas décadas de 70 e 80 fazem com que essas infraestruturas urbanas tenham que correr atrás, sejam reativas, sendo necessárias reformulações com o tempo”, explica.
Ainda segundo Pessoa, as paralisações programadas que superam as 12 horas devem seguir regras estabelecidas pela agência reguladora. “A agência reguladora em Minas estabelece que a população seja notificada para que possa se preparar. Existem as paralisações emergenciais, algum tipo de acidente ou ruptura de adutora, coisas que não são previstas e demandam uma necessidade maior de reparo para o problema ser solucionado”, pontua.
















