Minas Gerais está no centro de uma disputa internacional por terras raras, minerais essenciais para a fabricação de motores elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e tecnologias de defesa. Em Lagoa Santa, um laboratório-fábrica do SENAI já trabalha no desenvolvimento e na produção experimental de ímãs feitos com esses materiais.
A unidade, considerada pela FIEMG a primeira estrutura desse tipo no Hemisfério Sul, tem capacidade instalada de até 100 toneladas anuais de ímãs sinterizados de neodímio-ferro-boro. O laboratório integra o projeto MagBras, que reúne empresas, startups e instituições científicas.
Em 2026, a estrutura recebeu um lote experimental de carbonato de terras raras produzido a partir de argila mineira, reforçando o potencial de desenvolvimento tecnológico no estado. Apesar disso, a produção ainda está em fase de pesquisa e demonstração, e não representa uma cadeia industrial comercial consolidada.
Enquanto Lagoa Santa avança na área tecnológica, projetos de mineração no Sul de Minas também despertam o interesse de investidores estrangeiros. Entre eles estão o Caldeira, em Caldas, e o Colossus, em Poços de Caldas.
O desafio é fazer com que Minas Gerais não fique restrita à extração da matéria-prima. O beneficiamento, o refino e a fabricação de componentes de alto valor agregado são etapas estratégicas que podem gerar empregos especializados, conhecimento e novos negócios no estado.
O Brasil possui uma das maiores reservas estimadas de terras raras do mundo, mas ainda tem participação reduzida na produção e no processamento desses minerais. A China concentra grande parte da capacidade mundial de refino e fabricação de ímãs permanentes.
O debate envolve investimentos, tecnologia, qualificação profissional e também responsabilidade ambiental. Especialistas apontam que a integração entre mineração, pesquisa e indústria será decisiva para ampliar os benefícios econômicos dessa nova cadeia produtiva.
LAGOA SANTA PODE TER PAPEL ESTRATÉGICO NA DISPUTA GLOBAL PELAS TERRAS RARAS
Fonte: Rádio Itatiaia
Foto: Divulgação/SENAI













