Postos de combustível de diversos bairros de Belo Horizonte amanheceram com longas filas de motoristas em busca de gasolina e etanol dado o risco de desabastecimento das bombas com a greve dos motoristas de caminhões-tanque. Em alguns postos, já não há mais combustível. Em Pedro Leopoldo e Matozinhos, também já há filas em postos.
Enquanto isso, na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, cerca de 50 tanqueiros protestam contra o alto preço do óleo diesel. Eles iniciaram movimento grevista nessa quinta-feira (25) após não terem tido resposta do governo quanto a seus pedidos.
Com o último reajuste de preços nas refinarias da Petrobras, na semana passada, a gasolina já é vendida na capital mineira por mais de R$ 5. O óleo diesel teve alta ainda mais significativa, de 15%, o que levou os caminhoneiros de Minas Gerais a protestarem contra os valores praticados. Eles cobram revisão da alíquota do ICMS do governo de Minas.

SEM PREVISÃO DE TERMINAR
De acordo com Irani Gomes, presidente do SindTanque-MG, a greve não tem previsão de fim e, segundo ele, o reflexo da falta de gasolina só tende a aumentar. “Nos reunimos com a Secretária da Fazenda. Eles nos deram uma resposta negativa, estamos aguardando o que pode ser feito, porque do jeito que está é impossível”, afirma.
A estimativa do sindicato é que 3.000 caminhões estejam parados em todo o Estado. Só em Betim pelo menos 300 caminhoneiros estão estacionados nas portas das refinarias.
A categoria reivindica a redução de 15% para 12% no Impostos Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado pelo governo estadual sobre o óleo diesel.
Outro lado
O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro) confirmou que a greve dos transportadores de combustíveis convocada pelos caminhoneiros está afetando o abastecimento dos postos na região metropolitana de Belo Horizonte e de cidades que realizam o carregamento nas bases próximas à Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim.
Segundo a entidade, que representa 4,5 mil postos de combustíveis do Estado, vários postos já sentem os efeitos da paralisação, com dificuldades para fazer pedidos juntos às distribuidoras de combustíveis e abastecer os caminhões próprios nas bases, em virtude do bloqueio da entrada e saída de veículos pelos grevistas.
De acordo com o sindicato, caso a greve permaneça nas próximas horas, haverá falta de postos de combustíveis em todo o Estado. “Ainda que o Minaspetro seja solidário às demandas do Sinditanque-MG pela redução do imposto no diesel e demais combustíveis, entendemos que este não é o momento para uma greve, principalmente pelo contexto geral da pandemia de Covid-19 e as dificuldades que a população e todo o setor produtivo enfrentam”, informou em nota.
O Minaspetro informou ainda que não é possível quantificar quantos postos já sofrem com desabastecimento uma vez a entidade não realiza pesquisas junto a cada revendendor para saber o estoque “O estoque dos postos varia sensivelmente. estabelecimentos com alto volume de vendas diárias tendem a ter uma capacidade maior de armazenamento, e vice-versa”, explicou.
O sindicato reforça também o posicionamento de que o governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) recue na decisão de aumentar o ICMS dos combustíveis a partir de 1º de março, além de revisar imediatamente a tributação estadual sobre os combustíveis.
Procurada, a Secretária de Estado de Fazenda ainda não se manifestou sobre os pedidos dos caminhoneiros.














