O dinheiro de volta deixou de ser vantagem isolada de poucos cartões e passou a movimentar um mercado inteiro de fidelização no Brasil. Bancos, varejistas, plataformas de fidelidade e serviços de entretenimento digital disputam hoje a atenção do consumidor oferecendo alguma forma de retorno financeiro imediato a cada gasto realizado.
Parte dessa mudança é explicada pelo cenário de juros altos. Com o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) girando perto de 14,4% ao ano, o valor que fica parado em uma conta remunerada rende enquanto o consumidor não o utiliza, o que tornou esse tipo de devolução mais atraente do que os tradicionais programas de pontos.
Esse uso estratégico do crédito já foi tema de outra reportagem, que mostrou como o pagamento com cartão de crédito pode devolver parte do valor gasto na fatura ao consumidor.
Uma das maiores plataformas de fidelização do país, a Alloyal, atua há dez anos no setor e já entregou mais de 1.500 programas de recompensa para empresas, somando 15 milhões de usuários fidelizados. Pelos parceiros de varejo desses programas, os consumidores já realizaram mais de R$ 2 bilhões em compras, dos quais mais de R$ 40 milhões já foram distribuídos em cashback. Em um dos casos citados pela empresa, um programa de benefícios ajudou a reduzir a inadimplência da Ordem dos Advogados do Brasil de Minas Gerais (OAB-MG) de 35% para 15%. Para as empresas parceiras, oferecer dinheiro de volta em vez de pontos tradicionais virou estratégia para reter clientes e reduzir a evasão.
Entre os cartões de crédito, os percentuais de devolução variam conforme a instituição. O cartão do BTG Pactual devolve 0,75% do valor gasto na fatura, o Nubank Ultravioleta oferece 1,25% de cashback, e o cartão XP oferece 1% sobre as compras mensais em forma de investimento (Investback) .
Fora do universo bancário, plataformas de cashback também ganharam escala própria. A Méliuz, uma das mais conhecidas do país, reportou no segundo trimestre de 2026 uma base de 54,1 milhões de usuários, crescimento anual de 26%, e receita líquida de R$ 115,7 milhões no período. O modelo de dinheiro de volta oferecido pela empresa se popularizou como alternativa aos pontos aéreos tradicionais.
No mercado de apostas esportivas e cassino online, a KTO, plataforma de bet, mantém um programa de cashback fixo para os jogos de cassino. O valor retorna com base no total apostado, é creditado em tempo real e pode ser sacado sem exigência de rollover ou requisito mínimo de apostas. Por lidar com apostas, o uso desse tipo de recurso pede atenção às ferramentas de jogo responsável oferecidas pela própria plataforma.
Cada um desses modelos usa uma lógica diferente de cálculo e resgate, mas todos partem da mesma promessa, a de transformar parte do gasto do consumidor em dinheiro de volta, cada vez mais rápido e com menos burocracia para acessar o valor.















