Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) identificou alterações no sistema imunológico associadas à exposição ao tabaco aquecido e apontou possíveis efeitos sobre processos relacionados à esclerose múltipla.
O estudo foi realizado com animais e células humanas e analisou como a nicotina e produtos de tabaco aquecido podem interferir na resposta imunológica.
Em células de pessoas com esclerose múltipla, os pesquisadores observaram ativação dos linfócitos T CD4+, células que participam da resposta imunológica envolvida na doença. Em alguns experimentos, essa ativação foi maior do que a observada após a exposição ao cigarro convencional.
Os pesquisadores também realizaram testes em camundongos com uma doença experimental semelhante à esclerose múltipla. A exposição ao tabaco aquecido contribuiu para o agravamento do quadro e, em determinados parâmetros, apresentou um perfil mais inflamatório no sistema nervoso central do que o cigarro convencional.
Apesar dos resultados, os pesquisadores fazem uma ressalva importante: o estudo não comprova que o tabaco aquecido cause esclerose múltipla em seres humanos. Os experimentos indicam alterações imunológicas que podem ajudar a compreender possíveis mecanismos relacionados à doença.
A esclerose múltipla é uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso central e envolve fatores genéticos e ambientais. Segundo os pesquisadores, ainda são necessários estudos de longo prazo em seres humanos para dimensionar os riscos associados ao uso de produtos de tabaco aquecido.
O trabalho foi desenvolvido na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e deu origem a artigos científicos publicados em revistas internacionais.
Crédito do texto: Itatiaia
Crédito da foto: Banco de imagens/Canva














