A urna eletrônica completa 30 anos nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026. Os primeiros protótipos, utilizados nas eleições de 1996 no Brasil, integram a exposição permanente do Espaço de Memória Eleitoral, na sede do Tribunal Regional Eleitoral, no Centro do Rio de Janeiro. Ao longo das três últimas décadas, a aparência das urnas mudou pouco, mas a tecnologia evoluiu significativamente, com avanços que reforçaram a segurança e a eficiência do sistema eleitoral brasileiro.
Segundo o secretário de Tecnologia da Informação do TRE-RJ, Michel Kovacs, a urna passou por muitas evoluções em acessibilidade e segurança, como a inclusão da biometria em 2008. Ele explica que, conforme a tecnologia avança, novos recursos de segurança são implementados, além de melhorias na transparência e nas auditorias do sistema. Antes da digitalização, o cenário era de lentidão e incerteza. As urnas de lona recebiam votos escritos à mão, o que abria margem para erros humanos e possíveis manipulações. “O voto era escrito à mão. Isso gerava muitos problemas na identificação, na contabilização desses votos. Na totalização tinha muita falha humana mesmo, né? E tem histórico também de fraudes, que foi até a causa da introdução da urna eletrônica no Brasil”, afirma Kovacs.
A professora Simone Pereira Rodrigues, que atuou como mesária nas eleições de 1984, guarda na memória as longas filas da época: “Havia essa demora, a quantidade de eleitores, e isso fez a fila ser enorme. A gente trabalhava muito. Eram quatro a cinco mulheres na mesma seção.”
A estreia em 1996 marcou a implantação de um novo sistema que atingiu um terço da população brasileira. Cerca de 70 mil urnas eletrônicas foram distribuídas para 57 cidades com mais de 200 mil habitantes. No estado do Rio de Janeiro, oito municípios foram pioneiros: Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São Gonçalo, Duque de Caxias, Niterói, São João de Meriti, Campos dos Goytacazes e Belford Roxo. A fisioterapeuta Sônia Morais avalia que a tecnologia nas eleições é um caminho sem volta, pois acompanha a evolução da sociedade: “Eu acho que agiliza o processo, e nós estamos num período de evolução, de tecnologia. Então, eu acho que as urnas eletrônicas precisam seguir esse modelo tecnológico, atual. Acho que facilita para nós eleitores.”
No dia 4 de outubro deste ano, o sistema será testado novamente em todo o estado. Os eleitores votarão para escolher deputados federais e estaduais, senadores, governador e presidente da República. A grande vantagem continua sendo a velocidade: enquanto o processo manual levava semanas, o eletrônico entrega o resultado em poucas horas.
Para cidadãos como a aposentada Iêda Pereira, a tecnologia é apenas a ferramenta para algo maior: a cidadania. “Toda eleição que tem eu voto. Porque eu gosto de exercer o meu direito de votar”, conclui.
Crédito da foto: Reprodução/TV Globo. Fonte: G1 Rio de Janeiro, trecho publicado originalmente no g1.globo.com. A matéria foi veiculada em 13 de maio de 2026, às 02:29 PM. Fonte final: g1.globo.com.
















