Outra história é a da designer de interiores que teve a rotina radicalmente alterada após consumir três caipirinhas contaminadas em uma festa de aniversário em São Paulo. Ao ser internada, entrou em coma e chegou a temer pela própria vida. Hoje convive com uma severa deficiência visual: “Do nariz para baixo não enxergo mais nada e do nariz para cima eu consigo enxergar um pouco de vulto e movimento. Talvez eu tenha 3% de visão”. A adaptação exigiu mudanças profundas, com atividades simples dependentes de novas habilidades. “Tem coisas que você não vai ter mais. Nunca mais vou olhar para o céu e ver que vai chover”, afirmou.
Além das sequelas físicas, as vítimas cobram responsabilização dos envolvidos na fabricação e distribuição das bebidas adulteradas. Uma das sobreviventes afirmou que a continuidade de casos pelo país aumentou sua indignação: “Está acontecendo casos ainda, ainda tem gente morrendo e a gente não tem resposta.” A investigação em São Paulo identificou suspeitos ligados à fabricação clandestina e à distribuição; alguns já foram presos ou indiciados, porém as vítimas pedem maior rigor na punição. “O crime não pode compensar”, ressaltou.
Na esfera médica, há esperança: apesar das limitações, os sobreviventes buscam reconstruir a vida com base em avanços científicos para tratar danos causados pelo metanol, especialmente os relacionados à visão. “Hoje não tem um tratamento, mas tem muita pesquisa. Eu posso ter muita dúvida em relação à Justiça, mas na medicina eu tenho muita esperança”, disse a vítima.
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Texto: via g1
Foto: g1
Observação: reportagem baseada em apuração de veículos da emissora, com foco em relatos de sobreviventes e desdobramentos da investigação sobre a crise de metanol.














