Trabalhadores LGBTQIA+ no Brasil enfrentam mais desemprego e informalidade do que a população em geral, diz Banco Mundial

Por Dentro De Tudo:

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Pessoas LGBTQIA+ no Brasil enfrentam índices mais altos de desemprego, de inatividade e de trabalho informal do que a população em geral, de acordo com estudo do Banco Mundial. A pesquisa traduziu em números a desvantagem encarada pelos LGBTQIA+ e mediu quanto custa essa exclusão do mercado de trabalho. A taxa de desemprego entre LGBTQIA+ é de 15,2%, ante 7,7% da população em geral. A inatividade chega a 37,4% contra 33,4%. E, entre os LGBTQIA+, 46% trabalham na informalidade, ante 40% da população em geral. Os dados específicos são da pesquisa do Banco Mundial e os gerais, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2024. A pesquisa aponta que essa exclusão resulta em uma perda econômica anual de 94,4 bilhões de reais para o país, valor que representa 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo Ricardo Sales, presidente do Instituto Mais Diversidade, que atua com inclusão econômica de pessoas LGBTQIA+, a pesquisa revela que a agenda de desenvolvimento econômico do país depende de enfrentar preconceitos, pois quando o preconceito prospera, toda a sociedade perde.

A preocupação com a cultura da empresa e com a segurança psicológica é citada como motivo para sete em cada dez profissionais LGBTQIA+ deixarem de se candidatar a vagas ou considerarem desistir de oportunidades de trabalho, segundo o estudo do Banco Mundial. Em relato de caso, a administradora Isabela (nome fictício) descreve dificuldades vivenciadas ao buscar vagas. Utilizando o LinkedIn como ferramenta principal, ela avança em etapas, mas é desclassificada na entrevista presencial ao ser identificada como mulher trans. Isabela, de 41 anos, iniciou sua transição de gênero aos 28 anos, enquanto trabalhava em um grande banco e permaneceu lá por 12 anos, até 2020. Após sair, passou por outras duas companhias com políticas de diversidade e inclusão, até ser demitida de uma farmacêutica. Os dados indicam que a discriminação nas fases de recrutamento e contratação gira principalmente em torno da expressão de gênero, cor da pele e o quanto a pessoa LGBTQIA+ se enquadra nas normas de gênero tradicionais. Isabela informa que só revela ser uma mulher trans nos formulários que perguntam sobre identidade de gênero; caso contrário, prefere omitir a informação para não se colocar em desvantagem, mas afirma que nunca mentiu nem tentou se passar por cisgênero.

Diante desse cenário, a economia informal aparece como ferramenta para tentar contornar o sistema e buscar autonomia, especialmente entre aqueles que enfrentam preconceito. Enquanto 40% da população geral depende do trabalho informal, esse percentual é de 46% entre o público LGBTQIA+. O trabalho autônomo é a realidade de 25% dos brasileiros e de 30% dos brasileiros LGBTQIA+. Segundo Lucas Bulgarelli, diretor do Instituto Matizes, a avaliação do impacto da discriminação sob a ótica econômica funciona como estratégia adicional à discussão dos direitos humanos, ao demonstrar que a violência contra pessoas LGBTI+ prejudica não apenas esse grupo, mas o país como um todo.

A pesquisa do Banco Mundial também aponta que, quando pessoas LGBTQIA+ são contratadas, muitas descrevem conviver com dúvidas sobre a competência de travestis e mulheres trans, com o ocultamento estratégico entre homens bissexuais e com a sexualização de interações cotidianas, o que leva muitos a esconder suas identidades. Como resultado, 72,7% dos entrevistados disseram já ter sofrido preconceito no local de trabalho e 64% relataram eventos repetidos de discriminação, com consequências negativas para seu desempenho e permanência nas empresas. Sete em cada 10 pessoas LGBTQIA+ deixam de se candidatar a vagas preocupados com a segurança psicológica. Essa exclusão ocorre de forma contínua e pode incluir demissões injustificadas, assédio e pressão para que se ajustem às normas de gênero, além da aceitação condicionada ao ocultamento da identidade, perguntas invasivas e autocensura por motivos de segurança. Organizações destacam que tais dinâmicas geram sofrimento psicossocial persistente, como exaustão, ansiedade, trauma e burnout, ligados à exposição a hostilidade no ambiente de trabalho.

Crédito da foto: Divulgação pelo g1. Fonte: G1, reportagem publicada em 27 de maio de 2026. Foto: dsc6945.jpg. Crédito da foto: equipe do g1. Fonte: g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/05/27/trabalhadores-lgbtqia-brasil-banco-mundial.ghtml. 

Final da matéria: dados do estudo indicam a exclusão de pessoas LGBTQIA+ representa 0,8% do PIB anual do Brasil, refletindo o custo econômico da discriminação. Fontes: Banco Mundial e PNAD 2024, com contribuições do Instituto Mais Diversidade e Instituto Matizes.

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