Minas Gerais tem apenas 71 delegacias que atuam no combate à violência contra as mulheres. Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp), foram 149.347 ocorrências de violência doméstica e familiar em 2020.
O número é menor que o registrado no ano anterior, que foi de 150.871. Os casos de feminicídio, entre as tentativas e os consumados, também caíram, de acordo com o governo. Foram 380 em 2019. No ano passado, 339.
Especialistas que lidam com esses números todos os dias dizem que, por trás dos registros, há subnotificação dos casos. A queda pode estar ligada à pandemia, período em que muitas mulheres deixaram de denunciar.
“No mundo inteiro, o fenômeno que nós estamos observando é o da escalada da violência doméstica, da violência familiar no contexto da pandemia. Isso se deve, por certo, ao isolamento social, das mulheres estarem segregadas ainda mais no espaço privado e de fato não poderem se locomover, estão mais sujeitas, muito mais disponíveis dos ataques dos agressores que são os próprios companheiros, maridos, namorados e por ai vai”, diz a coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Marlise Mattos.
Mas não é apenas o isolamento. A subnotificação de casos de violência contra a mulher ainda pode ser agravada pela falta de atendimento especializado. Além de contar com poucas delegacias dedicadas às vítimas, Minas Gerais também tem poucas as casas de acolhimento, que ajudam as mulheres a recomeçar.
“As mulheres estão por conta de si mesmas. A verdade é essa, né? É urgente, necessário que as mulheres se organizem. A gente tem um exemplo, em Belo Horizonte, que é a Casa Tina Martins, que foi a princípio uma ocupação do movimento de mulheres, do movimento Olga Benário, feminista, para prestar atendimento que as mulheres de fato estão urgentemente necessitadas. Viemos, então, à Casa Tina Martins que ajuda mulheres em situação de violência”.
Com o apoio que recebeu na casa , a assistente social Rose Almeida conseguiu mudar de vida. Ela largou o marido violento, que deixou cicatrizes pelo corpo dela, e recomeçou do zero há quatro anos.
Segundo a Polícia Civil, além das 71 delegacias especializadas, o atendimento às vítimas de violência doméstica é realizado em todas as unidades, com servidores aptos a prestarem o serviço.
Em BH, a Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher, ao Idoso e à Pessoa com Deficiência e Vítimas de Intolerância, funciona na Avenida Barbacena, 288, no Barro Preto, durante 24 horas. Nas outras cidades, as ocorrências com presos e flagrantes são recebidas nas unidades de plantão.
Mulheres vítimas de violência podem entrar em contato pelo 180 e disque 100, canais de atendimento mantidos pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos.
Fonte: Globo Minas.















