Após cumprir pena pelo envolvimento no assassinato da modelo Eliza Samudio, Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como “Macarrão”, está recomeçando sua vida como treinador de futebol em Pará de Minas, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Ele abriu uma agência voltada para a formação de jovens atletas, com foco especial em goleiros e jogadores de alto rendimento, conforme divulga em suas redes sociais.
Macarrão ficou nacionalmente conhecido por seu papel no crime que chocou o Brasil em 2010. Segundo a Justiça, ele foi responsável por levar Eliza Samudio à força do Rio de Janeiro para um sítio em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde ela teria sido assassinada. Condenado a 15 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado – motivo torpe, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima – além de sequestro e cárcere privado, ele cumpriu sua pena entre setembro de 2011 e novembro de 2024, quando teve o processo extinto.
Agora, fora da prisão, Macarrão tenta seguir um novo caminho, mas sem esquecer o passado. Em um depoimento emocionado, sem citar diretamente o caso Eliza Samudio, ele falou sobre os anos que passou encarcerado e refletiu sobre seus erros.
“A minha vida é um testamento de Deus, nem meu filho sabe o que passei, mas a mãe dele sabe. Um dia no lugar fechado, eu não tinha mais nada, eu não tinha meus filhos, minha esposa, minha mãe, meu pai, por erro meu, o erro foi só meu, eu errei na minha vida. E por que estou falando isso? Deus me deu uma oportunidade de ficar 8 anos e 4 meses trancado num lugar, mas eu falo, isso é a realidade. Cuidado com quem vocês andam, Deus em primeiro lugar. Quando acontecem as coisas ruins, a gente se perde. Vai tudo por água abaixo, como foi na minha vida”, declarou.
A presença de Macarrão no meio esportivo tem gerado reações diversas. Enquanto alguns acreditam na possibilidade de reabilitação e reinserção social, outros questionam a sua atuação como mentor de jovens atletas.
Recomeço e polêmicas
Embora tenha cumprido sua pena, Macarrão carrega o peso de um passado marcado por um dos crimes mais emblemáticos do país. Sua entrada no universo do treinamento esportivo ocorre em meio a debates sobre a ressocialização de condenados e os desafios enfrentados por aqueles que tentam reconstruir suas vidas após deixar o sistema prisional.
O caso Eliza Samudio continua sendo um dos mais lembrados da crônica policial brasileira, e qualquer menção ao nome de Macarrão inevitavelmente resgata as lembranças do crime. Resta saber como a sociedade e o próprio meio esportivo irão reagir à sua nova trajetória.
Fonte: O Tempo – Foto: Ronaldo Silveira
















