Medidas buscam reconhecer intervenções, perseguições e outras violações sofridas por trabalhadores e entidades sindicais em Minas Gerais.
O Ministério Público Federal (MPF) abriu 43 procedimentos preparatórios para apurar e buscar o reconhecimento de violações cometidas contra sindicatos e federações de trabalhadores de Minas Gerais durante a ditadura militar.
O levantamento utilizado pelo órgão reúne documentos da Comissão da Verdade dos Trabalhadores e do Movimento Sindical (Covet/MG) e do Observatório Sindical Clodesmidt Riani. Os registros apontam que, após o golpe de 1964, entidades sindicais foram alvo de intervenções, prisões, destituições de dirigentes e outras formas de repressão.
Segundo as informações apresentadas, 39 sindicatos e duas federações sofreram intervenções no período. Em diferentes casos, dirigentes eleitos foram afastados e substituídos por militares ou pessoas consideradas alinhadas ao regime.
As investigações abrangem entidades de diversas regiões do estado, incluindo Belo Horizonte, Além Paraíba, Juiz de Fora, Montes Claros, Uberaba, Barão de Cocais e Conselheiro Lafaiete.
Entre as categorias atingidas estão trabalhadores metalúrgicos, tecelões, bancários, da construção civil, eletricitários e mineiros. Os documentos também registram episódios de prisões arbitrárias, tortura, desaparecimentos e assassinatos relacionados à repressão política.
Os procedimentos fazem parte de medidas de Justiça de Transição, voltadas ao reconhecimento das violações de direitos humanos ocorridas durante o período autoritário e à adoção de possíveis medidas de reparação.
A iniciativa ocorre em um contexto mais amplo de atuação do MPF sobre violações cometidas durante a ditadura. Em julho deste ano, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão defendeu a análise de novos pedidos de reconhecimento e reparação relacionados a graves violações ocorridas entre 1964 e 1985.
Fonte: BHAZ
Foto: Reprodução/BHAZ
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