Na saúde e na doença: períodos de fragilidade revelam desafios e diferenças na vida dos casais

Por Dentro De Tudo:

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O lançamento do documentário “Meu Nome é Preta”, do Globoplay, voltou a colocar em discussão um aspecto pouco abordado sobre doenças graves: os impactos que o adoecimento pode provocar dentro de um relacionamento.

Durante o tratamento contra um câncer, Preta Gil descobriu a traição do então marido e enfrentou o fim do casamento em um dos períodos mais delicados de sua vida. A história chama atenção para uma questão que vai além da doença: como os casais lidam com a vulnerabilidade, a mudança de rotina e a necessidade de cuidado?

Um estudo realizado por pesquisadores de Stanford e Utah acompanhou, durante seis anos, 515 pessoas diagnosticadas com câncer ou esclerose múltipla. Segundo os dados, os relacionamentos terminaram em 11,6% dos casos. Entre as mulheres, a taxa foi de 20,8%, enquanto entre os homens chegou a 3%.

Para especialistas, os números não permitem afirmar que homens abandonam mais ou que mulheres estejam mais preparadas para cuidar. O levantamento, porém, reforça diferenças culturais na forma como homens e mulheres são educados para exercer o papel de cuidador.

A psicóloga Poliana Aguilar explica que muitas mulheres aprendem desde cedo a cuidar dos filhos, dos pais, da casa e do parceiro. Já os homens, em muitos casos, não recebem a mesma preparação para lidar com a vulnerabilidade e com as responsabilidades relacionadas ao cuidado.

Quando uma doença grave chega à família, a rotina pode mudar completamente. Consultas, tratamentos, limitações físicas, alterações na vida sexual, dificuldades financeiras e mudanças nos planos passam a fazer parte do cotidiano.

Nesse cenário, especialistas destacam que amar e saber cuidar são habilidades diferentes. O relacionamento precisa encontrar uma nova forma de funcionar, sem permitir que a doença seja o único assunto entre o casal.

Outro ponto considerado fundamental é o cuidado com quem acompanha o paciente. O parceiro ou parceira também pode sentir cansaço, medo, tristeza, culpa e até solidão. Falar sobre esses sentimentos não significa falta de amor, mas pode ajudar a evitar o desgaste da relação.

O diálogo também pode facilitar conversas sobre temas delicados, como sexo, futuro, medo e limites. Uma das orientações de especialistas é falar sobre os próprios sentimentos, evitando transformar a conversa em acusações.

A doença, portanto, pode testar profundamente uma relação. Mas também pode revelar a capacidade do casal de se adaptar, dividir responsabilidades e construir uma nova rotina diante de uma realidade inesperada.

O caso de Preta Gil reacende esse debate ao mostrar como períodos de extrema fragilidade podem expor diferenças, limites e desafios que já existiam — ou que surgem com o adoecimento.

Crédito da foto: Lucas Lima/Folhapress
Fonte: O Tempo

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