A ocupação também revela desigualdades: o índice de ocupação entre pessoas sem deficiência é de 55,8%, enquanto entre PCDs fica em 29%, uma diferença de 26,8 pontos percentuais. A pesquisadora responsável pela Coordenação de População e Indicadores Sociais (Copis) do IBGE aponta que há obstáculos que vão se somando: maior dificuldade para conseguir ocupação, empregos com menor contribuição à Previdência e menos direitos de proteção social.
As PCDs estão desproporcionalmente concentradas em atividades com rendimentos médios mais baixos, como serviços domésticos, agropecuária e alojamento e alimentação. Quando consideradas todas as fontes de renda, a participação do trabalho no orçamento de domicílios com pessoas com deficiência é menor, levando a uma maior participação de aposentadorias, pensões e outros benefícios.
O informativo também aponta maior pobreza entre PCDs em todas as faixas etárias analisadas, com destaque para crianças de 2 a 14 anos, das quais 60,9% vivem abaixo da linha da pobreza (rendimento domiciliar per capita inferior a R$ 770 por mês). A pobreza persiste ao longo da vida, com índices superiores aos observados entre pessoas sem deficiência em todos os grupos etários.
A taxa de analfabetismo entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência é de 12,2%, 12 vezes maior que entre os sem deficiência (1%). A frequência escolar também é menor entre PCDs, com 92,6% de presença entre crianças de 6 a 14 anos com deficiência, frente a 98,4% entre as sem deficiência; entre adolescentes de 15 a 17 anos, 79,5% versus 85,4%, respectivamente. O IBGE ressalta que, apesar dos avanços em acessibilidade, ainda há desafios para implementação ampla de recursos em toda a rede de ensino.
Entre as barreiras de mobilidade, o estudo indica que a maioria das PCDs estuda ou trabalha no mesmo município onde reside. Os ônibus e o BRT são os modos de transporte mais utilizados (24,7%), seguidos a pé (23,7%) e por automóveis/táxis (22,8%). O tempo médio de deslocamento casa-trabalho é de 37 minutos para PCDs, quatro minutos a mais que o tempo de 33 minutos registrado para quem não tem deficiência.
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Texto: via g1
Foto: g1














