Uma substância desenvolvida por pesquisadores brasileiros para tratar lesões na medula espinhal dará um novo passo neste mês. A primeira fase dos testes clínicos com a polilaminina está prevista para começar em 24 de setembro, com a participação inicial de cinco pacientes voluntários.
Desenvolvida em parceria entre a farmacêutica Cristália e pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a polilaminina é produzida em laboratório a partir da laminina, uma proteína naturalmente presente no organismo e relacionada à movimentação dos axônios, estruturas responsáveis pela transmissão de sinais dos neurônios.
Nesta primeira etapa, o principal objetivo será avaliar a segurança da substância em humanos, e não comprovar sua eficácia. Os voluntários terão entre 18 e 72 anos e deverão apresentar lesão medular completa entre as vértebras T2 e T10, provocada por trauma ocorrido há menos de 72 horas, além de indicação de cirurgia para descompressão da medula.
A aplicação será feita diretamente na medula durante o procedimento cirúrgico, no Hospital das Clínicas e na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Depois, os pacientes passarão por reabilitação na AACD e serão acompanhados pela equipe de pesquisa durante seis meses.
Antes dos testes clínicos, a substância apresentou resultados positivos em estudos com animais. Entre 2016 e 2021, um estudo-piloto aplicou a polilaminina em oito pessoas submetidas à cirurgia de descompressão. Cinco pacientes que sobreviveram apresentaram algum ganho motor, mas os pesquisadores ressaltam que ainda não é possível afirmar que a recuperação tenha sido causada diretamente pela substância.
Por isso, os próximos estudos serão fundamentais. Caso a fase 1 demonstre segurança, novos testes poderão ser autorizados pela Anvisa, com um número maior de participantes e avaliações específicas sobre eficácia. Somente após a conclusão das diferentes etapas e a comprovação de segurança e eficácia o medicamento poderá ser registrado e disponibilizado para a população.
Crédito da matéria: Agência Brasil/O TEMPO
Crédito da foto: Cristália/Arquivo/Divulgação
POLILAMININA COMEÇA A SER TESTADA EM HUMANOS NO BRASIL















