Os golpes virtuais deixaram de ocupar um espaço secundário nas ocorrências policiais em Minas Gerais. Com a digitalização de serviços bancários, compras, atendimentos e relações pessoais, o crime passou a encontrar vítimas sem depender da presença física do autor. Hoje, parte dos assaltos acontece por meio de links, mensagens, perfis falsos e pedidos de Pix.
Dados do último relatório anual da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública mostram o tamanho dessa mudança. Os registros de crimes cibernéticos passaram de 56.908 em 2020 para 109.642 em 2024, quase o dobro em quatro anos. Só entre 2023 e 2024, o crescimento foi de 25,66%.
Nos três primeiros meses deste ano, a Polícia Civil registrou 14.957 golpes virtuais em Minas. A média é de 166 ocorrências por dia, o equivalente a quase seis registros por hora.
O estelionato eletrônico aparece como o principal motor dessa expansão. Em 2024, os casos consumados por meios digitais chegaram a 53.942, contra 41.080 no ano anterior. A alta foi de 31,31% em apenas 12 meses.
A lógica desses crimes nem sempre passa por ataques complexos a sistemas. Em muitos casos, o golpe depende de convencimento. Criminosos simulam conversas de familiares, criam páginas parecidas com as de bancos, anunciam produtos que não existem e usam mensagens com tom de urgência para levar a vítima a agir antes de desconfiar.
Um dos exemplos recorrentes envolve a clonagem ou simulação de contas em aplicativos de mensagem. Em uma ocorrência registrada em Minas, a vítima recebeu contato de um número novo com a foto de uma familiar em viagem. Os criminosos reproduziram a forma de escrita da pessoa e pediram R$1,5 mil por Pix. A transferência foi feita antes da identificação da fraude.
O avanço dos golpes também derruba a ideia de que apenas pessoas com pouca familiaridade com tecnologia são atingidas. Segundo os dados analisados, as vítimas se concentram entre pessoas de 40 a 59 anos e idosos acima de 60, mas também incluem grupos com ensino médio completo e ensino superior. O uso de dados vazados, linguagem bancária e informações pessoais torna as fraudes mais difíceis de perceber.
Belo Horizonte lidera os registros de estelionato consumado no estado, com 33.146 ocorrências em 2024. Contagem, Uberlândia e Betim aparecem na sequência. Mas o problema não está restrito aos grandes centros. Cidades médias, como Araxá, Nova Lima, Ipatinga e Barbacena, também apresentam taxas proporcionais altas.
A expansão mostra que o golpe virtual se tornou uma modalidade de crime com baixo custo, grande alcance e dificuldade de rastreamento. Um mesmo grupo pode disparar mensagens para centenas de pessoas, operar de outra cidade ou estado e usar contas de terceiros para receber valores.
Diante desse cenário, a Sejusp lançou, em parceria com o Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime, um guia de segurança digital. O material reúne orientações sobre phishing, engenharia social, malware, ransomware, deepfakes, preservação de provas e cuidados em transações financeiras.
A principal recomendação para quem caiu em um golpe é não apagar mensagens, comprovantes, e-mails ou registros de conversa. A vítima deve guardar prints, acionar o banco ou a plataforma usada no crime e registrar boletim de ocorrência junto às forças de segurança.
Também é recomendado desconfiar de pedidos urgentes de dinheiro, confirmar solicitações por outro canal, evitar clicar em links enviados por desconhecidos e não repassar senhas ou dados bancários por mensagem. Em golpes envolvendo conhecidos, a orientação é fazer uma ligação antes de qualquer transferência.
Crédito da foto: Foto retratando golpes virtuais já passaram de 100 mil casos por ano em Minas. Fonte: DeFato Online. Texto originalmente publicado em DeFato Online (https://ift.tt/iKsdpb5). Fonte final da matéria: DeFato Online.















